Publicado por: jrdobem | 11/01/2012

Caindo Na Máquina Hospitalar de Moer Carne – FINAL

Este era meu cantinho na observação.

É impressionante nossa capacidade de suportar humilhações, torturas e desmandos. Sofremos calados, aguentamos tudo sem reclamar e abaixamos a cabeça com total conformismo. Porque estamos diante de “poderes superiores”, sacou? Médicos são deuses, enfermeiras seus enviados cósmicos.

E todos eles, em toda parte e em todo lugar, sempre sabem mais de tudo do que você.

Antes de ser transferido para o “quarto”, eu fiquei por uns 3 dias enfiados na “observação”. Que me fez lembrar aquela cela da Noruega e tals. Só que sem janela. Eu perdi a noção do tempo pois tudo era uma coisa só. Perdi a noção do clima porque, mesmo que lá fopra chuvesse ou fizesse sol, para mim a temperatura estava constantemente em 16 graus. Frio, frio, sempre frio.

Quase perdi a funcionalidade das pernas pois passava o tempo todo deitado, dormindo, vendo TV e comendo o rango do hospital. Que até que era palatável mas sem aquele requinte que temos em casa.

Mas vamos ao que interessa:

— Em dado momento, surge a médica encarregada de minha internação. Ela disse que eu deveria me arrumar pois haveria de ir para um “quarto” na “enfermaria”. Achei legal, queria mesmo sair daquele cubículo maldito e toda aquela barulhada que as pessoas, em sua falta de educação, fazem o tempo todo.

— Mas antes, nova coleta de sangue. Cuja enfermeira gostosinha estoura minha veia. E que me rendeu uma linda mancha roxa no braço.

— Contagem das picadas até agora: uma lancetagem na ção direita, duas picadas para coleta de sangue em cada braço e mais cinco injeções de anticoagulante na barriga. Dessas cinco injeções, apenas uma delas foi praticamente indolor. E uma delas deixou um calombo roxo que me fazia parecer ser o dono de dois umbigos.

— No meio da tarde me transferem para a enfermaria. Pensei que iriam me mandar na cadeira de rodas mas que se foda, vou andando mesmo! Mesmo porque o coágulo da perna direita já deve ter sumido, certo? Certo?

— Fomos para o nono andar. Me deixam na cama do canto, perto da janela. Barulho da rua, vento, calor de 28 graus.

— Começa o drama: a minha direita tem um cearense que recebe sua família numerosa. Falam, falam e falam o tempo todo. Na frente dele um corinthiano com a família também. A mãe do cara, ume velhinha que só fala errado, tenta manter o filho de 10 do cara sob controle. Sem sucerro, pois o moleque quer mostrar o MP3 Player pro pai, onde ele pode ouvir as músicas do padre Marcelo Rossi. No alto e sob controle desse cara, a única TV do quarto. Alta. Sintonizada na Globo, naturalmente.

— Na minha frente, um desgraçado dum infeliz passou por uma traqueotomia. Não entrarei em detalhes sobre o procedimento (mesmo porque não sei de nada) mas ele falava como se estivesse com a boca enfiada num balde de catarro. E regurgitava catarro e mais catarro, alto, muito mas muito alto. O tempo todo.

— Vem um enfermeiro trocar minha lancetagem da mão direita. Sujeito de óculos escuro de mano, cabelo de mano, pinta de mano. O que um enfermeiro faz de óculos escuro numa enfermaria é algo que desconheço. Ele vem e troca minha lancetagem, colocando outra aqui, no pulso direito.

— Dói. Dói para caralho. Porque a agulha não entra e ele fica lá, cutucando minha carne. Ele agradece a Jesus porque encontrou outra veia. Entucha o bagulho que não para de doer. Fecham arruma e sai todo feliz, cantando um hino evangélico e lancetando os demais pacientes. Meu braço pulsa de dor.

— A patroa me visita lá pelas 18hs. Me dá Toddynho com bolo Ana Maria de morango. No caso de esquecerem do meu lanche noturno. Ela fica pouco tempo porque as meninas estão em casa, sozinhas e meu filho não merece tanto rojão.

— São 20hs. Eu já havia jantado. Não me deram lençóis de cama, travesseiro e nem roupa pra dormir. A lancetagem no meu braço está insuportável. É uma dor maldita, uma coisinha aguda que vem subindo pelo braço, por dentro, ardida e medonha. Deixo o braço parado mas a dor não some.

— Lá pelas 21hs vem a enfermeira maluca, bocuda e metida a alegre aplicar remédio na rapaziada. Tudo na vida dela é maravilhoso, tudo está bem, lalalala. Quando chega minha vez eu imploro pra ela tirar a lancetagem. Antes, ela vai verificar se eu vou tomar medicação intravenosa. Eu digo que não, que estava só na medicação oral e na injeção barrigal. Ela vai confirmar mesmo assim, ignorando meus ganidos de cachorro atropelado.

— Ela vota depois de 10 minutos, dizendo que aquela lancetagem não era necessária. Pois eu só estava na medicação oral e na injeção barrigal. Filha da puta que não ouve o caralho do paciente…

— Ela desfaz o bagulho. Macho e furioso, eu assisto tudo. A coisa dói mais para sair do que para entrar, pois ela arranca tudo de uma vez, sem me avisar, sem que eu me prepare. Daí ela percebe que “nossa, essa é uma agulha 20! Aqui nesta região vai no máximo uma agulha 12!”

— Mas rapidinho ela se livra da lancetagem pois não queria que eu visse o nome do enfermeiro que me crucificou.

— Ela me aplica a última injeção na barriga. Foi com certeza a mais dolorida do mundo. Passei por 5 enfermeiras e apenas uma delas aplicou corretamente. A minha dor apenas a faz dar risada pois, segundo seus latidos, “minhas injeções são idolores”. E meus olhos estão errados ao lacrimejarem…

— A desgraçada vai embora e eu fico com o barulho: os dois “colegas” não param de falar no celular. Já são umas 21:40hs. Estamos num hospital. Mas os dois fazem da enfermaria um escritório. Seus celulares nunca estão no vibracall. Tocam alto, tocam forte, dava pra ouvir da Avenida Paulista. Ambos desandam a falar mais ainda com parentes, amigos e colegas de trabalho, enquanto o cara da traqueotomia explode catarro no balde.

— 22hs. Troca de plantão de enfermeiras. Vem a dita cuja dizer: “eu sou a enfermeira fulana. Estarei cuidando desta enfermaria até as blablabla da manhã.” Script. Tudo ensaiado.

— Quando ela vem até eu, peço transferência. Explico que meus colegas não se comportam e que o cara da traqueotomia estava terrível. Ela diz que não pode fazer nada, que todos os leitos estão ocupados. Peço para voltar à observação (é melhor estar sozinho do que naquela merda). Ela diz que não pode porque aquela é a área do Pronto Socorro. “Amiga”, ela disse que eu deveria “aguentar quietinho” porque amanhã, sem prometer nada, ela poderia ver uma transferência para uma enfermaria com duas camas.

— Meu plano cobre enfermaria com duas camas e me metem numa enfermaria com quatro camas.

— Bate 23:hs. Continuo sem travesseiro. Os celulares não param, o catarro não para. TV alta. Tem gente que só dorme com TV alta. Da rua, buzina. No corredor, enfermeiras riem alto. Zona, baderna, uma desgraça.

— Penso bastante, penso muito mesmo. Junto minhas coisas, pois já estavfa vestido mesmo.

Saio pelo corredor. Vazio. Cadê a mulherada? Sumiu. Nos quartos, TVs ligadas (na Globo). Gemidos, sombras e camas vazias. A cadela poderia ter me transferido para um lugar melhor mas não fez. Porque é uma cadela!

Vou pras escadas e desço nove andares. Passo por funcionários e seguranças. Ninguém me detém, ocupados demais que estão ao olhar a Vida.

Passo por porta daqui, desço escada dali, me oriente pelo grande aquário luxuoso da recepção, encontro a porta da saída e vou pra rua. Depois, metrô, depois telefonema pra patroa e chego em casa com as pernas doendo de cansaço.

Olha eu na observação, olha!

Jantei, tomei banho, acodi a patroa e as meninas, conversei com meu filho e, sem sono, fiquei até as 4 da manhã acordado.

Quando são 4:15hs, toca o telefone. Atendo. É a enfermeira atrás de mim! Se passaram mais de quatro horas desde minha fuga e só agora ela percebeu que eu sumi!

Olha o diálogo:

“Alô?”

“O senhor José Roberto está?”

“Sim, sou ele.”

“Aqui é Fulaninha da Putona, enfermeira do Hospital Chiqueiro do Caralho.”

“Ah tá. Qual é o problema?

“O senhor foi embora?”

Desligo o telefone.

Odeio hospitais.

Publicado por: jrdobem | 09/01/2012

Caindo Na Máquina Hospitalar de Moer Carne – 2

(você não faz idéia do tamanho da vontade de fumar um cigarro que me deu agora, puta merda!)

— Além da ironia de assistir House na tela da TV de um hospital, nada mais tinha qualquer tempero de graça. Pois eu estava na área de “observação”: trata-se de um conjunto de uns 8 micro-quartos, compostos de uma cama mecânica, uma cadeira igualmente mecânica, pia e a porta deslizante de três etapas. As japeninhas davam para o corredor e ao quarto ao lado. Na parede, tomadas e, para me fazer companhia, uma porra dum aparelho que servia para aplicar medicação.

— Nesses dois dias em que fiquei na observação, não fiz nada. Pois eu tinha que esperar o anticoagulante fazer efeito. E isso demora dias. Daí, seguindo a alegação de que “se o coágulo se soltar e se ele subir pro pulmão, o bicho pega”, ali eu fiquei.

— Na observação não ha janelas. O ar é condicionado, gelado. Meu amigo Citizen indicou a temperatura: 16 graus. Enquanto lá fora vazia sol forte, eu jazia debaixo de cobertas, usando aventalzinho de doente. Mas, é bom, dizer, minha pressão estava 11×8, batimentos okay, sem febre. Só tinha que ficar parado, vendo TV, ajustando meu celular e meu MP3 Player e dormindo. Mais dormindo do que tudo, aliás.

— De tempos em tempos me traziam almoço, lanche, janta e lanche noturno. A comida era sem sal (arroz, feijão, carne cozida, saladinha de cenoura, suco de uva em caixinha) mas a minha fome me faria comer as embalagens!

— Na primeira noite esqueceram do meu lanche noturno. Senti uma fome alucinada mas dormi do mesmo jeito.

— Me lembrei daquele pessoal que prega pena-de-morte, achando que cadeia não faz sofrer ninguém. Faz, sim. Ficar dois dias sem ver o sol, nun cubículo gelado de 4 metros por 5 metros é o suficiente pra deixar qualquer um piradinho. Eu sei. Eu estava ficando.

— Meu sono era interrompido pela visita da especialista em “vascular”. A mulher falou tão rápido comigo, menos de 40 segundos, que não lembro do nome dela, nem de sua aparência. Mas basicamente disse: “fique aí, cale a boca, tome os remédios.”

— Veio a mulher trocar minha cama, saí pra tomar banho. Chuveirão lascado, poderoso! Regulei legal a pressão e brinquei com a água, mas sem exageros porque a LANCETAGEM em minha mão precisava de cuidados. Toalha dura áspera, sbãozinho mixurca mas ganhei uma necessaire com escova de dentes, pasta, condicionar e shampoo, touquinha! Mimimi!

— Me aplicam duas injeções na barriga. É o anticoagulante. Sim, doeu pra caramba. Mas nada tão terrível quanto a nova LANCETAGEM que eu haveria de ter mais tarde.

— A patroa me visitou no segundo dia. Que pra mim era a mesma coisa que o primeiro nas nada mudou. Me trouxe um Big mac, batatinhas e coca-cola. Comi feito doido.

— Relembrando: eu estava com dois coágulos, um em cada perna. O da esquerda é superficial e sem problemas. O da direita era interno, daí o alegado perigo e o uso de anticuagulantes dolorosos.

— Os enfermeitos são uns idiotas. Cara e gestos de favelados mas de roupa branca. Um deles entrou na minha jaula e nem me disse bom dia. Aplicou-me a injeção na barriga e foi embora, calado. Os outros era metidos a engraçadinhos, daquele jeito que só o brasileiro sabe ser: fazendo de conta que se importa.

— A enfermeira lindinha vem colher meu sangue. Lindinha, branca, olhos verdes, unhas pintadas com estrelinhas e florzinhas. Mas na hora de coletar meu sangue, a desgraçada entucha uma agulha no meu braço direito e estoura a veia. Ganhei uma mancha rocha feia e dolorida.

— Já no segundo dia, eu estava com o saco na lua. Porque a gente ouve tudo naquele lugar. A equipe de enfermagem simplesmente não cala a boca. Falam pra caralho, falam o tempo todo. E riem. Riem muito alto. Passei a saber quando vinham me visitar pelos passos. Uma das desgraçadas das enfermeiras fazia questão de usar sapatos com sola de madeira. Era um tal de “to-ploc, to-ploc, to-ploc” que mais parecia uma jumenta trotando!

— Mas o pior era quando usavam o esfigmomanometro. Haviam 3 tipos de aparelhos de medir pressão: o antigão que precisava ser arrastado em seu pedestal, o portátil e o digital. O antigão só usaram uma vez. O que mais usavam era o medidor portátil. Mesmo sendo portátil, o danado vinha em cima de uma mesinha de metal com rodinhas. E essa mesa fazia um barulho infernal! O desgraçado vinha lá de longe, tipo um trem quebrado pela madrugada e eu, que tenho sono de galinha, acordava logo que ele saía da estação.

— Entenda a loucura: o esfigmomanômetro era portátil. Não precisava ser trazido numa mesa. Era leve, pequeno, com tela colorida, um mimo. Mas a CADELA trazia aquela MERDA numa PORRA DUMA MESA BARULHENTA! Só pra não ter trabalho de carregar, sacou? Miserávgel, porca maldita!

— Antes d’eu ser transferido para o quarto “oficial”, veio o enfermeiro metido a engraçadinho mas que não passava de um filho da puta. Ele usou um esfigmomanômetro (bentido copy+paste, que eu nunca saberia digitar essa merda) portátil mas que parecia um Ipod! Botou ali no meu braço, fechou, colocou meu indicador  num medidorzinho de batimentos e ficou vendo o telejornal, enquanto as máquinas trabalhavam. Pegou os resultados, anotou, falou do Brasil e da novela, e foi embora.

— A quantidade de sons que eu ouvia era foda. Mesmo de madrugada, sempre há algum barulho. Canos que gemem, pessoas que conversam, portas que batem. Eu me sentia enfiado no cu de uma mina de carvão. Mas a acústica era poderosa, me fazendo ouvir, por exemplo, o drama da velhinha da observação ao lado: a família fez a festa de final de ano, encheram a cara e a véia tomou um tombão. Resultado: vai ter que botar prótese na bacia.

— Antes de entrar naquela merda, eu vi os maiores causadores de internações: bebedeira, brigas, exageros e, principalmente, tombo de velhos e velhas. E o velho, quando cai, sempre sai fodido e quebrado. Tudo em nome da alegria, da felicidade, feliz ano novo! Brasileiro é uma merda.

E no próximo capítulo, a fuga da máquina de moer carne!

Publicado por: jrdobem | 07/01/2012

Caindo Na Máquina Hospitalar de Moer Carne – 1

Curto, simples e direto mas acompanhe meu drama:

— Antes e durante a virada do ano, tive varizes nas pernas. A varize da perna esquerda virou trombose, criando coágulos de sangue superficial. A varize da perna gerou um coágulo atrás do joelho, na dobrta da coxa. A dor em ambas as pernas era muito alta, como se eu tivesse pedras nascendo em meus músculos e pele. Consegui controlar a dor com massagens e compressas.

— Esperei passar a virada do ano para ir tentar uma consulta. Eu já estava bem, quase sem dores.

— Fui tentar uma consulta há uns 4 dias no Hospital da Luz que, apesar do nome, fica aqui no metrô Ana Rosa.

— Na recepção, sou encaminhado a uma enfermeira que, diante de meu quadro de trombose, trata de me internar imediatamente. Pois é “protocolo médico” tratar vítimas de trombose assim.

Eram 13:20 do dia 03/02/2012.

— Me colocam numa cadeira-de-rodas, passo na frente de mais de 50 pessoas (a maioria vítimas de bebedeira, pancadas, velhinhos que sofreram quedas) e me colocam numa sala onde coletam meu sangue e esperam passam a tal de “médica do vascular”. Me indicam também que tenho que fazer um “doppler” nas pernas, que só depois de eu perguntar, me dizem que é “ultrasom”.

— Vem a médica, lindinha e gostosinha, me atender. Ela me reboca até o micro-consultório dela. Faz um frio desgraçado, tanto que ela deixou a porta aberta. Mostrei minhas pernocas, ela examina daqui, examina dali e sai da sala. Vem ela e uma amiga que analisam minhas pernocas mais uma vez e a amiga, uma loira, recomenda o ultrassom. Percebo que as duas são “patricinhas”, falando com os mindinhos erguidos e arrumando os cabelos. Meu cu pisca, receoso.

— Me levam de volta para a sala de espera. Na minha frente, um senhor de 60 anos dorme sentado e ronca alto. Os enfermeiros e enfermeiras dão risada e a mulher dele, uma zureta velha e contrangida, acorda o maridão toda hora.

— Inicia-se a sangria desatada com a primeira coleta de meu sangue. Dói. Não muito porque a enfermeira, uma velhinha gente boa, tem boas mãos. E escolheu a agulha certa, como veremos mais tarde.

— Fico sentado por horas, gente pra tudo quanto é lado, TV de plasma sintonizada na Globo, gente fodida e uma traveca feia que nem pecado de mãe ajudando a amiga, até que me empurram para o doppler.

— Corredor pra cá, corredor prá lá, paramos na frente de uma recepção. Nenhuma enfermeira olha na minha cara. Ninguém diz bom dia, boa tarde, nada. Me apontam a sala onde será feito o exame e a dita cuja me manda ficar de cuecão. Me despi no banheiro e me deitei ao lado do doppler. O quarto está as escuras, só entra a luz pelo vão da porta. Ninguém me explica porra nenhuma.

— Entra o operador da máquina, o médico. Tambpem sem bom dia, boa tarde, nada. Passa creme no sensor, analisa aqui, capta ali, faço uma pergunta e ele diz apenas *hum*. Terminado o exame, ele aponta o banheiro e me manda trocar de roupa. Eu estava lambrecado de gel. Papel higiênico não dava conta. Me limpei no lençou que a enfermeira me mandou eu me “vestir”. Sai pro corredor, sentei na minha cadeira de rodas e, de novo, ninguém olhava na minha cara.

— Me deram meus exames e lá estavam as tromboses e os coágulos.

— Volta enfremeira que me levou pra lá, me rebocando de volta pra sala de espera da peãozada. Detalhe: a recepção é linda, com aquário exuberante e grande (apesar dos peixes de água doce, coisa de pobre) e me diz para esperar que foi pedido um exame chamado “dedilhe”. ou algo assim. Acabei chamando de “dedinho” pois estavam enfiando tudo no meu cu.

— Esse exame só sairia as 10 da noite. Eram 4:30 da tarde. Mando torpedos pros amigos, ligo pra patroa e mofo sentado. Felizmente tenho meu celular com carga e meu MP3 Sony cheio de música, mais meu bloco de anotações dos livros que escrevo.

— Volta a enfermeira pra colher mais sangue, mas desta vez ela resolve LANCETAR-ME o braço. Lancetar é aplicar um tubão na ponta de uma agulha entuchada em meu braço. Ali seria aplicada medicação liquida. Até que não doeu muito, a velhinha sabia das coisas. Lembre-se dessa passagem, ela é importante.

— Milagrosamente, lá pelas 09:30 da noite, chega o resultado do meu exame. Me transferem para a área de observação: uma série de micro-quartos com cama e cadeira, pia e TV com porta de madeira basculante. Um médico novinho me diz que ficarei ali “até amanhã” sob observação pois o coágulo pode se mover, soltar um pedaço, ir pro pulmão, e eu morro.

Me acomodei, me ajeitei e liguei a TV: House me encarava.

Meu martírio estava apenas começando.

(continua)

Publicado por: jrdobem | 20/12/2011

Que Coisa Feia, Meu Tio! – 5

Veja isto:
Photobucket

Esta é a capa do gibi “Blue Fighter” (dããã!), criação do nosso considerado Alexandre Nagado e com desenhos do Artur Garcia. Este gibi foi publicado pela Editora Escala e contava, na época, com editoração de Marcelo Cassaro.

O gibi durou até o terceiro número quando, devido ao fracasso nas vendas, foi devida e justamente cancelado, para a honra e glória da HQ nacional. Porque esse gibi era uma merda mesmo: idéia ruim, desenho ruim, proposta retardada, desenvolvimento de bosta, enfim, ser cancelado foi uma consequência natural e merecida.

Porém, a coisa anda bastante interessante por aí.

Veja isto:

PhotobucketEste é “versão” robótica o coelho Sansão, criação de Maurício de Souza, readaptado para a HQ “Turma da Mônica Mangá”, desenho feito por Marcelo Cassaro.

O mesmo que editou a revista do Nagado.

Preciso dizer mais?

Tentar estabelecer um diálogo com os que se dizem “profissionais de HQ” no Brasil é, praticamente, ter que reduzir-se a um patamar de “argumentos” que mistura desinformação, sofisma e uma bela dose de burrice.

Eu explico o porquê: primeiro que não existe profissional de quadrinhos no Brasil. Pois ninguém vive de quadrinhos. Nem Maurício de Souza, pois todos sabem que ele apenas gerencia uma equipe de desenhistas e roteiristas. Ele não mete a mão na massa nunca. Isso, por si só, já o descaracterizaria como profissional da área mas tudo bem, vamos adiante.

Por não existirem profissionais, excetuando-se o legendário Lacarmélio, praticamente ninguém tem autoridade, embasamento ou confiabilidade para comentar qualquer coisa sobre o assunto em moda: uma lei que vise estimular a produção de HQ. (lamento dizer mas quem faz tirinhas e charges não faz HQ)

Partindo-se do princípio de que praticamente ninguém faz HQ periodicamente no Brasil, que os raros autores que se metem nesse segmento não passam de fanzineiros, oportunistas ou nerds que obtiveram uma minúscula oportunidade…

O que temos é um grupo de que monopoliza as discussões já que, se formos medir a produção, ela não existe. Não existindo, surge a forma mais baixa de agrupamento: a brodagem.

Nesse sistema, não importa a competência, inteligência, argumentação, o que for. Vale a postura que o camarada adota perante o grupo, sendo este naturalmente reduzido, se impõem como sendo a grande bússula indicativa do Certo e Errado no tema.

Neste tópico, como de costume, fui impedido de comentar exatamente por não fazer parte da turminha. Minhas mensagens, mesmo as mais comedidas, foram apagadas. O que não é de me surpreender pois para quem boicota até meus livros, é normal apagarem meus comentários. Ou seja, democracia, justiça e ética começa-se em casa.

Não havendo esses valores por parte da tchurminha que faz HQ, todos se tornam canalhas. Portanto, é natural que as idéias apresentadas sejam igualmente canalhas.

Aceitar insenção de impostos para estimular quadrinhos, cinema, música, etc, é ser canalha. Porque esse dinheiro deveria estar indo para quem realmente precisa: as pessoas na fila do SUS, os aposentados, os estudantes, a Segurança Pública. É uma simples questão ética que, entre homens de valor e brio, nem se deveria aceitar, quanto mais discutir.

Não. Num fandom já naturalmente corrupto, é natural que os “autores” se assanhem para receber um dinheiro fácil, uma grana mole, enquanto recebem um “benifíço” injusto, indigno e desonesto.

Foda-se. O cara quer o dele, quer ganhar no mole e aplaude, portanto, tirar da boca de criança com fome ou doente terminal para que ele possa receber sua benesse.

Entre os absurdos mais descabidos que foram ditos neste tópico, quem ganha disparado é o meu considerado JAL que, a certa altura, diz:  ” Eu, por exemplo, sei que podemos conquistar público justamente nas escolas. Isso em parte está acontecendo com os quadrinhos paradi´daticos que virou um núcleo que está conseguindo pagar melhor a produção dos artistas gráficos. ”

Eu considero execrável e abominável o que o JAL disse. Porque, mais uma vez, se depende do Governo para se ganhar dinheiro. Essa é a prova máxima da incompetência do autor nacional que não consegue emplacar um maldito produto numa editora de verdade.  Sempre vem a mesma choradeira, que os americanos isso, que as editoras daquilo e, finalmente, todos correm para a Teta do Estado.

Porque é mais fácil. Porque não é preciso trabalhar muito, nem esquentar a cabeça.

E aí é que mora o busilis de tudo: o que é que esses caras, esses “profiçonais” tem a oferecer?

Se for na parte didática, esqueça, porque eles não tem formação educacional, quanto mais didática, para passar alguma coisa que preste aos alunos. Salvo se se juntarem a algum autor mas, convenhamos, desenhista de HQ pensa só em si. Parcerias não rolam.

Supondo que exista alguma idéia, eles não sabem formatar um projeto pois, conforme eu sempre digo, os tempos mudaram e exige-se que os autores saibam compor uma apresentação de projeto.

Se o cara não sabe criar nada, a não ser super-herói, se ele não faz parcerias com roteiristas, se ele não sabe formatar projetos e se ele não tem uma idéia que seja comercialmente interessante…

Adianta dar financiamento público pra ele?

A saída seria a capacitação do autor nacional, no sentido de formar empresários de quadrinhos que não precisem de dinheiro público. Empresários esses que necessitam buscar o ouro da criação, que é a concepçção de personagem.

Eu não descarto os livros paradidáticos. Porém, é muito cômodo estar sempre mamando na teta do Estado pois este não exige grandes capacidades. Não exige grandes criações; é só ser amigo do amigo, é só ser parte da penelinha de interesses que tá tudo certo.

Essa situação acaba sendo um vício do autor nacional que não consegue se livrar dos conchavos e esquemas que lhe prejudicam mais do que acrescentam.

Mas não adianta. Esse povo é burro e surdo.

Publicado por: jrdobem | 15/12/2011

Pra Pensar… – 1

Nos EUA, considerados a maior democracia do mundo, há rappers que escrevem letras de música que citam não apenas o racismo mas a misoginia, consumo de drogas, roubo, assassinato de policiais e por aí vai.

Um determinado grupo evangélico prega a total intolerância aos homossexuais, carregando cartazes com citações bíblicas, palavrões e ofensas. Chegam a romper em aplaudos quando o cadáver de um soldado americano voltou do Iraque. Isso ocorreu durante o enterro do soldado, diante de sua família, pais, filhos pequenos e viúva.

Humoristas, negros ou não, fazem pilhéria de judeus, árabes, negros, brancos, padres… E Charlie Sheen.

Grupos neonazistas, Ku-Klux-Klan, etc, praticam livremente seus… Ahn… Preceitos. Qualquer um pode ter uma bandeira nazista em sua casa, em seu carro, em sua empresa ou mesmo andar com camisetas nazistas.

No entanto, ninguém vai para a cadeia nos EUA por causa disso, pois eles possuem uma Constituição que garante a Liberdade de Expressão.

Obviamente você não pode imputar a alguém algo que ele não fez, mas sua opinião, e a opinião de qualquer outra pessoa ou meio de comunicação, são intocáveis.

Já no Brasil, esses direitos, inclusive garantidos pela Declaração dos Direitos Humanos e pelo próprio Iluminismo, são sumariamente desrespeitados em nome do interesse de certos grupos que impõem sua vontade sobre o país…

E contando com as bençãos de uma Justiça ignorante e por legisladores que só se interessam em jogar ossos de pseudo-justiça para a patuléia fascistóide que os elege.

Cidadãos sem Arte é gado. Arte sem Liberdade não é Arte. País sem Arte Livre é ditadura.

Publicado por: jrdobem | 09/12/2011

Explicando a Penitenciária Chamada Brasil – 1

Você sabe por que há tanto consumo de álcool, tabaco, sexo e demais drogas ilícitas?
Não é só semvergonhice.
É sinal da falência da sociedade como manutentora da felicidade da população.

Quanto maior o consumo de drogas e quanto maior for a exploração do sexo, automaticamente é ainda maior a infelicidade de todos.

Consumir drogas e fazer sexo gera prazer. E a Sociedade não oferece prazer às pessoas que precisam apelar para o uso de produtos químicos mais e mais intensos, e precisam transar com mais e mais constância.

Claro que isso é orquestrado, obviamente que isso é arranjado e construído de tal forma que gere mais, e muito mais angústia, desespero, desilusão e revolta.

Mas ao invés das pessoas direcionarem sua fúria contra o Estado, pois é ele que deveria estar cuidando da felicidade de todos, elas SÃO DIRECIONADAS para as drogas e o sexo… E o futebol, samba, esportes, funk carioca, bailes, etc.

É que o Estado está blindado da ingerência do povo.
Você não muda nada no Estado, não altera nada, não tem controle absolutamente NENHUM sobre ele.
Pois o Estado está a serviço da classe política que o loteou entre as diversas correntes partidárias, estabelecendo feudos dentro de feudos, impérios dentro de impérios, que atendem aos interesses alheios à vontade popular.

Isso não impede que alguém lá de cima jogue um osso pro cachorro. Volta e meia rolam essas leis malucas, sempre de origem conservadora e com total apoio da bancada religiosa, que querem proibir que a população consuma drogas lícitas fora de suas casas.

Em casa, ficar bêbado, pode.
Na rua, não, desde que não seja um evento público onde, INEVITAVELMENTE, algum político está ganhando alguma coisa em algum lugar.

Publicado por: jrdobem | 04/12/2011

A Gente Tarda…

E tarda!

Mas numa hora a gente vorta!

Devagarzim vamu arrumandu as imági qui si forão e is línky qui se deram pal mas tudo bem, numa hora a gente créu!

Assine nosso feed-o-rento! Faça parte desta grande família!

Publicado por: jrdobem | 27/10/2011

Informação Inútil e Completamente Besta – 1

Desde que minha amoreira desandou a dar frutos, eu devo ter comido, bebido ou devorado em forma de sorvete, pelo menos cinco quilos de amoras. O meu jeito favorito de acabar com as danadas é mistura-las com sorvete de creme. E a torta ficou poderosa.

Correndo por fora, comi pelo menos umas oito caixas pequenas de morango. Nada daqueles moranguinhos mirrados, e refiro àqueles morangões nervosos, parrudos e meio ocos.

Sua vida ficou bem melhor depois de ler essa besteira, não é?

Publicado por: jrdobem | 27/10/2011

A Vida

Ah, deixa aí, vá!

A Vida é um hiato; um espaço entre o choro do nascer e o expirar do falecimento.
Entre ambos, há uma prisão.
Uma prisão chamada Sociedade, cercada pelos muros altos das mentiras, das ilusões, das farsas e da escravidão.

Fôssemos seres minimamente Conscientes dessa nossa miséria, faríamos de tudo para rompermos com todas as paredes, muros, trancas, grandes e portas que nos aprisionam. Que nos aprisionam tanto por dentro, em nossas mentes, almas e corações, como em nossos corpos, dominados pelo consumo, pela subserviência aos desejos do sexo e o desejo de ter tudo que achamos que precisamos… Sem realmente precisar.

Somos fantasmas, pálidas sombras difusas de algo maior e que nunca saberemos o que é
Somos fantasmas que habitam carcaças desfuncionais que, em breve, deixarão de existir.

Deveria ser, pois, nossa maior meta destruir esse mundo desumano que se parece humano mas que é fundado nas lágrimas e sangue humanos.

Deveríamos queimar cada pedaço de lei, cada talonário de multas, todos os tribunais e cartórios, cada dinheiro ou moeda de qualquer espécie, todos os carro, prédios, indústria e toda e qualquer tecnologia que não seja usada para o benefício de todos.

Deveríamos nos preocupar não só conosco e nossas necessidades mesquinhas e imediatistas, mas com todos os demais prisioneiros dessa penitenciária chamada Sociedade.
Deveríamos libertar cada homem, mulher, idoso, criança, bicho ou ser vivente de nossa própria dominação. E, fazendo isso, também nos libertaremos.

Mas não podemos. A prisão é vasta demais, estica-se de nosso passado e prolonga-se pelos séculos, dos séculos, amém.

Por isso eu contemplo o sol.
Vejo o dia passar, sereno, pela fresta de minha janela, ouvindo os pássaros cantarem confusões, o farfalhar da minha amoreira passiva, consciente de minha condição, refugiando-me em meu pensamento, em meus textos, em minha meditação, em meu trabalho.

Pois são nesses pequenos momentos que posso vislumbrar, ainda que num átimo, a Real Liberdade que, infelizmente, nem eu e nem ninguém teremos em nossa existência.

Isso me basta, até que algo mude. Até que eu mude. Até que as coisas mudem.
Isso é a Vida.

Publicado por: jrdobem | 24/10/2011

Juliana, a Viva Morta.

Já que este blog é meu, então falarei de minhas queridas e singelas criações. Hoje, comentarei sobre meu livro, ainda em fase de preguicite, chamado “Juliana, a Viva Morta”.

Ao contrário do que esse infeliz título pode levar a crer, não se trata de um diário de adolescente retardada que não sabe o que fazer da vida. Bom, até que poderia ser e, fosse eu uma cadela literária, já estaria produzindo não apenas um mas vários livros nesse segmento de adolescente besta, branca e classe-média que fala tolices e destila bobagens.

Mas não é o caso.

Se você não sabe, saiba agora: boa parte de minhas (poucas e boas) idéias de roteiros vem de meus sonhos. Eu sonho pra caramba, desde pequeno eu era assim e hoje, depois de grande, a quantidade de sonhos que tenho são cada vez maiores (diz meu médico que é por causa de meu ronco tremendo, coisa que me valeria uma operação mas estou com preguiça de marcar a cirurgia de remoção de minha glote).

E, naturalmente, por ser filho desse mundo Pop desmiolado, eu sonho com mortos-vivos, zumbis e canibais furiosos (gole de coca-cola, pitada na cigarrilha). Só que meus sonhos são dementes, furiosos, selvagens e sem censura. Vejo cada coisas horrível e demente que dificilmente alguém sonharia.

Tipo assim, tripas vivas que comem cachorros podres, pernas que saem da calçada de cimento e por aí vai.

E eu sempre tive vontade de escrever um livro sobre mortos-vivos. Gosto do tema, da mesma forma que gosto de alguns filmes de cadáveres que andam.

Mas nunca tive a idéia inicial, o start pra brincadeira começar a dar pique pra falar a respeito.

Há alguns meses, quando eu finalizava meu livro “Mil Nomes“, achei por bem deixar consignado, nas últimas páginas do livro, uma lista com os livros que eu haverei de escrever. E que, com sorte, nesta semana estarão sendo apresentados para uma nova editora.

Daí, pensei que seria legal colocar meu livro de mortos-vivos. Contudo, de novo, eu não tinha idéia alguma de como começa-lo.

Ao conversar com pessoas ao meu redor, deixei a idéia pulando no fundo de minha mente quando, sem querer, durante um bate-papo, a personagem principal surgiu na minha frente!

Foi sensacional. A moça que conheci era, e é, o arquétipo perfeito, a personagem ideal de meu livro. Ela veio assim, pum! Completa!

Surgiu uma personagem que reúne as qualidades de uma defunta em vida, uma criatura inútil mas que se acha a utilidade perfeita. Um ser abissal sem a menor utilidade no mundo e que, de tão comum, consegue fazer o leitor se identificar rapidamente.

A premissa do livro é a seguinte: há uma moça de seus 18 anos, gostosa, funkeira, burra, deliciosa, meio putona, ignorante, perfeita na sua imbecilidade, completa em sua mesquinharia. Uma pós-adolescente comum, em uma cidade grande comum, que leva uma vida besta e inútil como todos nós.

Só que, pela manhã, ao se depilar para ir à escola, ela não percebe que está morta. Que virou uma morta-viva mesmo.

O grande lance é que ela é tão burra e mesquinha que nem se percebe que seu coração parou, que não respira, que não tem circulação. E vai assim para a escola, como se nada tivesse acontecido, ocupadíssima demais em ser ela mesma.

Não vou estragar sua surpresa (mesmo porque eu não melhorei o capítulo inicial) mas a verdade é que ocorrerá uma epidemia de mortos-vivos que arrasará tudo quanto é lugar. A cidade vai se transformar num pandemônio dos diabos mas…

Atenção! A variedade de criaturas que serão apresentadas no livro será muito grande.

Porque eu não acredito que o causador da desgraça morta-vivente fique num único estágio. Pois em meus sonhos os defuntos que andam tem trocentas formas, trocentas variedades. Pois existem trocentos tipos de pessoas, não acho interessante ter só um cadáver lento e faminto andando por aí, querendo comer cérebros ou carne viva.

Por isso a Juliana será um tipo de morto-vivo diferente: ela está morta mas ainda vive. Seu corpo está em decomposição mas sem que ela avance naquele estágio de selvageria bíblica.

A idéia é fazer com que a Juliana e mais dois colegas saiam pela cidade tentando resgatar seus parentes, vizinhos ou amigos, enquanto que a Sociedade se arregaça num festival de morte, desespero e violência sem precedentes.

Vou lhe apresentar a mais completa fauna de criaturas humanóides “desmortas”, com cenas horríveis que só meus piores (e melhores) pesadelos são capazes de criar.

Haverão cientistas malucos, médicos bonzinhos, heróis poderosos, soldados desguarnecidos, criaturas maléficas e, naturalmente, crianças “mortantes” (meio mortas, meio mutantes) que lhe oferecerão um espetáculo de carne, sofrimento, delírio e… Humor!

Por isso, assine este blog! Pois vou soltar, aos poucos, alguns trechos do livro da “Juliana, a Viva Morta” e, com certeza, você vai se divertir muito!

Ops! Hora da caminha! Bons sonhos!

Publicado por: jrdobem | 20/10/2011

Que Coisa Feia, Meu Tio! – 3: A CATREVA!

Em comemoração aos 35 anos da personagem Welta, mostrando que Emir Ribeiro finalmente descobriu as maravilhas da “tecnologia computadorizada” abrilhantando os leitores com suas redundâncias (imprimindo-os numa impressora de boa qualidade), permitindo que os leitores possam imprimir seus fanzines (em qualquer tamanho) e mostrando ser um profundo e generoso conhecedor nas artes-gráficas (ou até mesmo em off-set)…

É com alegria que mostramos o talento deste valoroso artista nacional em uma coletânia de seus mais valorosos e inspiradores trabalhos:

Ah, mas pode ter sido coincidência! O “mestre” não tem dessas coisas de sair copiando o desenho dos outros!

Será? Então vejamos…

Contactamos Emir Ribeiro para que ele se manifestasse, mas até o momento não recebemos dele nenhuma resposta.

Quem cala, consente.

Publicado por: jrdobem | 17/10/2011

Amor: Essa Mentira

Você seguiria um "mestre" que se vestisse feito um idiota?

Uma consulente indagou Edir Macedo: “pastor, como é que eu faço para ter fé?”
O sábio estelionatá… Digo, o sábio religioso respondeu:

“É muito fácil! FAZ DE CONTA QUE VOCÊ TEM FÉ!

Durante toda nossa vida nos foi dito que a verdadeira felicidade estava no Amor.
Nos foi bombardeado continuamente em tudo quanto é canto que o Amor é a melhor coisa do mundo.

Nos desenhos animados, quadrinhos, filmes, seriados, novelas, músicas, livros, enfim, em toda parte sempre nos disseram que só quem ama é que é a melhor pessoa do mundo.
A mais aceita, a mais forte, a mais completa, etc.

Nos incutiram a idéia de que o Amor é nosso destino, nosso maior desejo e nossa única obrigação no mundo.

Devemos amar papai e mamãe, devemos amar nosso time de futebol, devemos amar nosso semelhante (até parece…), devemos amar os animais, as árvores, o mundo e até seres imaginários como Deus e Jesus.

Já somos, portanto, condicionados a amar qualquer um, DESDE QUE ACREDITEMOS QUE AMEMOS!

No caso de todos os apaixonados, você acreditou que a amava.
Você FEZ DE CONTA QUE A AMAVA e, por consequência, passou a amar.

Só que agora você sabe que o tal Amor nada mais é que uma “instrução mental”, uma forma de LAVAGEM CEREBRAL que nos induz desde pequenos a termos amor por qualquer coisa, qualquer um e a qualquer momento.

O seu erro foi ter entrado nessa ilusão. Mas é um erro compreensível diante de toda a condição que expliquei acima.

Só que AGORA, depois desse nosso papo, você sabe como se manter LIVRE desse RESFRIADO chamado amor.

Quando você começar a pensar que ama, quando começar a ACREDITAR que ama, trate IMEDIATAMENTE de MATAR esse pensamento.
Estrangule-o, destrua-o e jogue-o para longe de sua mente.

Pois o Amor é a morte da Razão e quem perde a Razão, ganha a Fé.
E a Fé simplesmente NEGA a Verdade.

E a verdade é que você não ama. No máximo você tem atração, tesão, solidão até, enfim, algo mais simples e bem mais fácil de ser resolvido. Mas que te disseram que, pra ser feliz, é preciso amar.

Como pode sua Felicidade ser condicionada a um sentimento tão vil e aprisionante?

Publicado por: jrdobem | 17/10/2011

Ziriguidum!

O Brasil é a terra do ditador precoce.

O menino nasce príncipe. A menina, princesa. Pai e mãe são Rei e Raínha. E lá se vão os rótulos, os estandartes dos Egos, apenas a negar tudo isso para, no final, ser tudo isso.

Pois quem manda nesse feudo de mentirinha são os outros. Especialmente o Grande Irmão, o maior estuprador dirigido e guiado de todos: o Estado.

Aqui, neste solo infecundo em que tudo que é mofado, velho e apodrecido, encontra um vasto campo de reprodução e alegria, vicejam ditadores e suas hordas de apaniguados, barões, baronetes, condes e condessas, vassalos, escravos e capachos. Que, quando podem, brincam de estuprar não apenas uns aos outros mas a qualquer um que deles se aproxime.

Mas é um estupro consciente. Pois é dando que se recebe.

Tudo começou quando o covarde-mor D. João para cá veio escorraçado por Napoleão (nascendo aí a frase “quem tem cu tem medo”), firmou de vez um “molde de existência” no grande bloco do Inconsciente Coletivo Nacional que se perpetuou por centenas de anos, encrustando-se em nossa formação como uma pústula berebenta que não tem democracia (HAHAHA!) que cure e nem voto (HAHAHAHA!) que remova.

Pois a democracia é, aqui, um jogo de cartas marcadas em que o otário elege quem dele se parasitará.

Mesmo a mais doce e tenta ideologia socialista, cujo o cunho central era a igualdade, perverte-se e converte-se num carro-alegórico de farsas demagógicas e mentiras coloridas, em que reinos dentro de reinos formam ditadores dentro de ditadores, desprezando o Indivíduo para idoltrar um coletivo que obedece, com total submissão e interesse, a hierarquia do mais canalha.

Somos a Nação da Contradição Em Pró do Canalha pois existimos num puxa-e-repuxa que faz sobressair o sangue de nossa existência: a mentira.

Adoramos desesperadamente qualquer mentira. Porque precisamos delas para justificar as nossas próprias.

Já mentimos muito, mas nunca “na história destepaíz” a mentira se fez tão útil aos micro-reinos que pipocam em toda parte da mesma força que a Aids nos bueiros do sexo explícito.

Da escola às religiões, do Estado ao padeiro da esquina, do catador de lixo ao empresário mais ladrão, o que interessa mesmo é apenas “levar vantagem em tudo“, ampliando-se esse conceito midiático para a cristalização de um ideário nacional: eu quero o meu e que se foda o resto.

Como construir um país quando todos só pensam em si? Ou quando o coletivo está a serviço do individual travestido de liderança?

Por querer sempre vantagens, impõem-se a Lei do Mais Massacrante e Corrupto Gigante Amigão, em que qualquer pé-rapado que detém um mínimo poder já se acha um verdadeiro Don João… Que rapidamente se cerca de súditos, igualmente sequiosos por esse poderzinho ridículo e insignificante.

“Quero ser parte, quero ser parte, quero ser parte”, geme o presente ladrão diante da caverna de Ali Baba, mas cujo tesouro será, no máximo, uma migalha de ilusão que lhe custará o caráter. Foda-se. Serve. De que adianta ser homem numa nação de hienas? Não vale a pena ter alma entre zumbis…

Tornamo-nos, assim, o cão que controla o cão, o parasita que sonha em parasitar para sempre, educando sua cria para ser mais uma varejeira a depositar ovos de indolência no cadáver eterno de uma nação que nunca chegou a ser justa. Pois a Justiça está a serviço de interesses particulares e classistas, jamais em pró do Coletivo.

Pois já é da natureza animalesca humana capturar e aprisionar seu semelhante. Porém, covardes como são os brasileiros, submissos como nos tornamos, é feio capturar, não pega bem (só no amor se conquista); agora, cooptamos. Convencemos, usamos do estelionado da emoção para trazemos para debaixo de nossa asa parasítica os neo-escravos de um sistema em que todos são escravos, até mesmo quem detém um nano-poder de qualquer coisa.

Ao nos cercarmos de chacais amigáveis e sanguessugas sedutoras, significa que nos tornamos iguais àqueles que nos vampirizam.

Essa é a Justiça Braziliana, o exercício contínuo da farsa, dentro de uma mentira, cercada de samba, suor e cerveja.

Squidum!

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